Lumen

Início › Saber › Consolação e desolação

Consolação e desolação

Michael Porwol · Última revisão: 2026-10-07 · Leitura 3 min

Também em: Deutsch · English · Español · Italiano · Français

Em resumo

Inácio chama de consolação todo movimento interior que aumenta a fé, a esperança e a caridade e orienta para Deus; e de desolação o seu contrário, isto é, escuridão, perturbação, frieza e inclinação para as coisas baixas. A regra prática mais importante diz respeito à desolação. Em tempo de desolação nunca se muda uma decisão tomada em tempo de consolação. Nenhuma das duas é um estado de ânimo, mas um sinal que se deve ler.

As duas definições

Inácio as dá quase em sequência, nas regras para o discernimento dos espíritos.

A consolação (EE 316) é quando se acende na alma uma moção interior pela qual ela começa a se inflamar no amor do seu Criador. Fazem parte dela também as lágrimas que nascem da dor dos pecados ou da paixão de Cristo, e todo aumento de fé, esperança e caridade.

A desolação (EE 317) é o contrário: escuridão da alma, perturbação, inclinação para as coisas baixas e terrenas, inquietação, tentação, falta de confiança. A alma se sente como que separada do seu Criador.

Vale notar que nenhuma das duas definições fala de circunstâncias externas. Não se trata de saber como foi o dia, mas para onde leva a moção interior.

A regra que salva

A regra mais citada de Inácio é também a mais prática (EE 318): em tempo de desolação, nunca fazer mudança.

Quem está no escuro vê a própria vida de forma deformada. O trabalho parece um erro, o casamento acabado, o caminho escolhido absurdo. Inácio não diz que essas impressões são sempre falsas. Diz que nesse momento elas não podem ser avaliadas, porque não é dali que vem a luz com que se olha para elas.

Portanto, manter o que se decidiu quando se via com clareza. As decisões se tomam na consolação, não na noite.

O que fazer quando dura

Inácio não deixa sozinho quem está em desolação. Dá quatro indicações concretas (EE 319 a 324):

  1. Rezar mais, não menos. O instinto empurra para o contrário, e é aí que está o erro.
  2. Acrescentar algo, um pequeno jejum, um tempo de oração a mais. Não como castigo, mas para não se deixar arrastar.
  3. Lembrar que isso vai passar, e que na consolação anterior se recebeu força justamente para este momento.
  4. Falar disso. É a observação mais fina de Inácio (EE 326): o inimigo se comporta como um falso amante, que quer que as suas palavras fiquem em segredo. Dito em voz alta, ele perde boa parte do seu poder.

O que a desolação não é

Inácio fala de um movimento que vem e vai. O que permanece durante semanas, a falta de forças, a insônia, a sensação de que nada tem sentido, os pensamentos de não querer mais viver, não é desolação espiritual e não melhora com conselhos espirituais. Isso pede mãos médicas e terapêuticas. No Brasil, o CVV atende de graça pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat em cvv.org.br.

Por que vale a pena registrar

As regras supõem que se saiba em qual dos dois estados se está. E isso, à noite, não é nada óbvio.

Um único dia diz pouco. Seis semanas, ao contrário, mostram padrões: que depois de certas noites vem regularmente um abatimento, que uma pessoa específica sempre deixa inquietação, que depois de um tempo de oração fiel vem a paz. Inácio recomendava anotar, e ele mesmo mantinha um diário espiritual.

O Lumen foi construído para isso: uma escala de consolação e desolação em cada revisão da noite, uma evolução legível ao longo do tempo e um diário que fica criptografado no aparelho. Não existe conta nem servidor onde essas anotações fiquem guardadas.

Perguntas frequentes

Consolação é o mesmo que bom humor?

Não, e essa é a confusão mais frequente. Inácio fala de um movimento que leva para Deus. É possível estar de ótimo humor e encontrar-se em desolação, e é possível chorar de dor estando em consolação, por exemplo quando as lágrimas nascem do amor.

Por que não se deve decidir em desolação?

Porque nesse momento a realidade aparece deformada. Inácio observa que, em desolação, tudo parece sem esperança e todo propósito parece errado. Quem decide então decide a partir de uma imagem falsa. A regra vale para as decisões, não para os atos do dia a dia.

O que fazer, então, em desolação?

Inácio é muito concreto. Não mudar nada, rezar mais e não menos, acrescentar algo à penitência, lembrar que isso vai passar. E sobretudo falar disso com alguém, porque o inimigo, diz ele, se comporta como quem quer permanecer escondido.

Quanto tempo isso dura?

Não é previsível. Inácio diz que Deus permite a desolação também para nos fazer compreender que a consolação é dom e não mérito nosso. O critério não é a duração, mas a fidelidade durante esse tempo.

Desolação é o mesmo que depressão?

Não, e confundir as duas é perigoso. A desolação é um movimento espiritual que vem e vai. A depressão é uma doença e precisa de tratamento médico. Quem passa semanas sem forças, sem esperança ou com pensamentos de morte não precisa apenas de um conselho espiritual, mas de ajuda. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia, e também por chat em cvv.org.br.

Como reconhecê-las?

Anotando. Um único dia diz pouco. Seis semanas mostram que certas situações levam regularmente ao abatimento e outras à paz, e é daí que se começa a ler.

Fontes

O exame toda noite, com acompanhamento

O Lumen conduz você pelo exame em sete passos, percebe o que se repete e, com isso, prepara a sua confissão. Suas anotações ficam criptografadas no seu aparelho.

Funções básicas gratuitas · criptografado no seu aparelho · seus textos nunca são processados por IA