As três condições
O Catecismo é aqui de uma precisão incomum (n. 1857): para que um pecado seja mortal, as três condições precisam estar reunidas.
Matéria grave. O próprio ato precisa ser grave. A referência são os dez mandamentos.
Pleno conhecimento. Quem age precisa saber que aquilo é mau e que é grave. Quem não sabia, e não por culpa própria, não comete pecado mortal.
Consentimento deliberado. A decisão precisa ser livre. Sob coação, em pânico, sob uma dependência instalada ou por um impulso repentino, a liberdade fica diminuída (n. 1860).
Basta que falte uma para que o pecado não seja mortal. É a parte que a prática mais esquece, e para os escrupulosos é a mais importante.
Logo depois, o Catecismo acrescenta uma frase que quase sempre falta nas discussões: mesmo podendo julgar que um ato é em si uma falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus (n. 1861). Conhecimento e consentimento acontecem no interior de uma pessoa. Ninguém de fora pode avaliá-los, nem um aplicativo, e a própria pessoa muitas vezes só em parte. Por isso o Lumen nunca classifica faltas por gravidade.
Por que essa distinção existe
Ela não serve para graduar as faltas, mas para descrever duas realidades diferentes.
O pecado venial enfraquece o amor, como uma briga enfraquece uma amizade sem rompê-la. O pecado mortal, ao contrário, rompe a comunhão com Deus, porque quem o comete escolhe consciente e livremente contra Deus numa coisa grave.
Daí a consequência prática: quem tem consciência de um pecado mortal deve confessar-se antes de comungar (CIC 1385). O venial não, e é perdoado também pela oração, pela esmola, pelo jejum e pela própria Eucaristia. Como funciona a confissão: como se confessar.
O perigo dos dois lados
Há quem use essa distinção para minimizar tudo: faltou o pleno conhecimento, então não foi grave. Isso esvazia a consciência.
Outros a usam contra si mesmos e classificam como mortal a menor bobagem. Isso produz a escrupulosidade, e a escrupulosidade não é uma forma refinada de seriedade, mas um obstáculo à vida espiritual.
O justo meio não se encontra raciocinando sozinho, mas conversando com um confessor. Quem está num dos dois extremos o reconhece por um sinal: a pergunta volta sempre, e a resposta que a pessoa dá a si mesma nunca se sustenta por mais de dois dias.
O papel da revisão diária
Quem revê o seu dia à noite leva a pergunta para onde ela pertence. Ela deixa de ser "quão grave é isso?" e passa a ser "o que me levou até aí?".
Ao longo de várias semanas aparecem coisas que uma única noite não mostra: que uma certa situação sempre volta, que um propósito não mudou há um mês. O Lumen guarda essas anotações criptografadas no aparelho, sem conta e sem servidor, e as torna legíveis ao longo do tempo, ordenadas pela frequência, nunca pela gravidade. Isso não substitui o exame de consciência à luz da Palavra de Deus nem a conversa com o confessor. Como fazer o exame: exame de consciência.